Eu tive a coragem de trilhar o caminho de volta, esse dedo ninguém pode me apontar mais. E a vida me sorri com ironia.
Finalmente, levanto os olhos ao meu redor, parei de fingir o sorriso e não chamo mais outro nome em segredo. Encontro tantos. Lábios, abraços e carinhos. Cada dia é uma história, que eu encaro rindo da minha bobeira de menina nova nesse mundo. Dando a cara para bater. Só para comprovar que ninguém bate, não. Isso é, se você mesma não o fizer.
Daí eu encontro. Um.
Tento levar na mesma leveza de até agora. E, levo. Com desejos impetuosos e descompromissados. Tão sinceros, esses aí.
Até que, opa, ele quer conversar. E põe na mesa tudo que eu costumava trazer comigo. Aquelas certezas que nem sei se trago mais. Muito provável que sim, mas não quero nem ver que ainda existem, em mim. De que as coisas possuem um significado maior. Que a alma tá em tudo que o corpo se mete a fazer. E chama de relação o tudo em que decidimos nos meter nos últimos dias. E explica como tudo é sério e simbólico, que precisa de cuidado.
Que merda. Quando eu decido levar as coisas com mais leveza. Decido parar de ser a esquisita e proponho-me a não pensar tanto em tudo. O mundo vem. E joga na cara. As verdades que, apesar de ter sido ele quem disse, sempre foram minhas.
E eu não queria mais. Tudo tão sério. Ou profundo. Queria ir, assim, indo mesmo. Para onde o vento decidisse. Até que ele parasse de soprar e me deixasse em algum lugar. Simples, sem pensar. O que não significa que eu cruzaria toda ponte que aparecesse no caminho. Porque, né, pontes são construídas sobre penhascos.
Eu estava já andando no meio de uma, acho. E ele acabou de escancarar o penhasco embaixo. Só para lembrar-me que, putz, quanto mais eu andar nela, mais chance de cair. Pensando seriamente que ainda é cedo.
Passinhos para trás.
Escrito por tatapessoa
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